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Introdução
O que todo dentista precisa saber sobre ATM
 
O que todo dentista precisa saber sobre ATM

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Introdução        O que todo dentista precisa saber sobre ATM  
Introdução:
        Os dentistas conhecem bem a oclusão dentária e dispendem sinceros esforços em benefício de seus pacientes. Entretanto, a maioria possui um conhecimento nebuloso sobre a função condilar e sobre os efeitos recíprocos entre oclusão e posição condilar.
        Não é correto pensar apenas no tratamento da ATM em uma condição patológica, quando o paciente apresenta sinais e sintomas. No dia-a-dia da clínica confrontamos com a necessidade de harmonizar o nosso tratamento nos dentes com a posição condilar. Vertentes de restaurações, coroas, selantes oclusais podem interferir na oclusão o suficiente para provocar pequenas mudanças de posição nos côndilos, afetando todo o funcionamento do Sistema Estomatognático.
        Etiologia é o estudo das causas de uma doença. Diagnóstico significa reconher uma doença pelos seus sinais e sintomas. Uma vez que a Etiologia seja determinada, o tratamento correto pode ser implementado com total chance de sucesso.
        Muitos aceitam atualmente de as DESORDENS DA ATM abrangem muitos problemas envolvendo músculos da mastigação, articulação e estruturas relacionadas. Esta abordagem leva ao diagnóstico pelo LOCAL ANATÕMICO e não pela etiologia.
        Uma das conclusões da Conferência sobre ATM em 1996 do NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH, órgão do DEPARTAMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES dos Estados Unidos da América foi de que existem problemas significativos com a atual classificação de diagnóstico de DESORDENS TEMPOROMANDIBULARES, pois esta classificação é baseada em sinais e sintomas em vez de etiologia.
        Muitos autores endossam a idéia de que DTM é uma doença multifatorial. Uma doença pode ser multifatorial em suas causas, mas não em sua manifestação. Uma doença não pode ser inflamatória, degenerativa, funcional ou autoimune ao mesmo tempo. O correto é dizer que, atualmente, doenças diferentes estão sendo diagnosticadas como apenas uma: DTM. Se for usado o diagnóstico DESORDENS ORTODÔNTICAS, qual estudo poderá provar que extração de pré-molares é um tratamento efetivo? Se usassemos este tipo de diagnóstico, Desordens Periodontais, Desordens Endodônticas etc, não seria possível progredir no tratamento dentro destas especialidades.
        Todas as ações feitas pelos dentistas nos dentes têm repercussão na posição dos côndilos, por que não é possível dissociar estes eventos.Mínimas mudanças nos dentes significam mínimas mudanças na posição dos côndilos. Por isso, os profissionais de Odontologia precisam dedicar seus esforços em conhecer melhor a interrelação da oclusão com a ATM. Este objetivo deve estar presente em todas as especialidades odontológicas e deve ser uma preocupação em todos os atendimentos que fazemos.
        Alguns autores chegam a afirmar que a oclusão dentária não é mais considerada o fator primário ou único na natureza multifatorial das DTM. Pessoalmente, discordamos deste conceito, mas mesmo assim é necessário que todo dentista saiba então qual é o papel da oclusão nas DTM? Qual o papel da função CÕNDILO/OCLUSÃO? Quais os sinais e sintomas e como reconhecer quando a oclusão é a causa?
        Existe muita mitologia sobre ATM, com opiniões polarizadas, dividindo-se em grupos oclusionistas e não-oclusionistas. Estas controvérsias têm afastado os profissionais de estudos de princípios fisiológicos do Sistema Estomatognático e os problemas de ATM encontram-se envolvidos numa aura de mistério e atrelados a uma retórica árida, enquanto os pacientes ficam sendo tratados de maneira inadequada, com baixo índice de sucesso.
O ajuste oclusal é uma ferramenta imprescindível na clínica e todos os dentistas precisam aprender a realizá-lo corretamente e com segurança.
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O manejo de pacientes com disfunção de ATM não é fácil para muitos profissionais da Odontologia. O diagnóstico deste problema é feito com base no relato do paciente, que normalmente consta de dor facial ou na região da ATM, estalos nos movimentos, desvio ou restrição de movimentos mandibulares. O tratamento mais comum é a utilização de placas interoclusais.
        Esta abordagem apresenta alto nível de incerteza e pode levar ao diagnóstico incorreto e ao tratamento ineficaz. Esforços devem ser realizados no sentido de permitir o diagnóstico correto e então escolher o tratamento que atue nas causas.
        O exame do profissional precisa avaliar fisicamente vários aspectos do paciente em busca de sinais que indiquem função alterada das ATM, além de reconhecer a intensidade e modulação dos sintomas que o paciente relata.
        A avaliação da musculatura da mastigação é essencial para estimar a função. Como palpar cada músculo, em que locais, quais estruturas ósseas servem de referência? O que indica o aumento das fibras dispostas com maior inclinação em relação ao plano oclusal ou o que significa a diferença entre o tônus de um músculo direito e esquerdo? Como avaliar o tônus de um músculo?
        O profissional precisa avaliar os movimentos mandibulares em intensidade, suavidade e harmonia, na abertura, protrusão e lateralidade.
        A ATM, como qualquer articulação do corpo humano, apresenta ruídos e estalos. Como avaliar o que é normal e o que indica alteração? Quais ruídos indicam movimentos de tendões, ligamentos e cápsula e quais indicam alterações da articulação?
        Como é feita a correta palpação da ATM? A palpação do polo lateral permite fazer o diagnóstico de alterações internas? A palpação do polo distal permite avaliar quais alterações?
        No exame dentário, quais sinais são indicativos do também chamado trauma de oclusão, mas que podem significar desarmonia entre a função oclusal e o movimento condilar? Retrações genvivais e problemas periodontais não inflamatórios são sinais importantes? Qual relação existe entre desgastes, abfração, mobilidade dentária, movimentação dentária e a função oclusal?
        Na avaliação dos sintomas o profissional precisa obter informações objetivas do que é subjetivamente relatado pelo paciente. Sobre a dor de cabeça é preciso considerar o comportamento da dor, se é crônica, se é regular. O que significa uma dor com mesma localização, mesma intensidade, mesma duração, mesmo tipo e mesma freqüência?  Se esta dor tiver localização na região do temporal o que significa? Porque as mulheres apresentam mais o sintoma dor? Poderia a dor ter origem na musculatura e os homens por terem maior resistência muscular apresentarem menos dor? A palpação da musculatura pode oferecer dados para avaliar esta hipótese?
        Muitos pacientes relatam surdez súbita ou sensação de ouvido entupido e zumbido. Estariam estes fatos relacionados com a condição hipertrófica da musculatura? A musculatura da mastigação, especialmente o Pterigoideu Medial pode influenciar a função da porção cartilaginosa da Tuba Auditiva?
        Outros sintomas comuns relatados pelos pacientes são a ocorrência de mordidas na língua/bochechas, dificuldade de mastigar alimentos duros e dificuldade de falar rápido. Qual a causa deste desconforto? O profissional pode relacionar esta falta de coordenação da musculatura do Sistema Estomatognático com contatos oclusais?
        No exame de qualquer articulação do corpo é necessário manipular o paciente. Não se concebe o exame de um joelho onde o profissional não o movimenta em toda a sua extensão. Não é habito e muitos profissionais da Odontologia têm dificuldade em manipular a mandíbula. Qual o modo correto, qual o mais efetivo? Manipulação bi-manual, com o paciente em posição horizontal é o mais efetivo? É possível com a manipulação localizar contatos prematuros ou interferências que causem mudanças na posição condilar? Como identificar esses deslizes condilares? Que efeitos esses deslizes condilares causarão na musculatura?
        O exame de problemas de ATM pelos dentistas precisa ser melhorado e, o mais importante, precisa fazer parte do protocolo de exame rotineiro do paciente. A busca de informações na anamnese e no exame clínico deve incorporar observações sobre a função da mandíbula, pois atualmente o mais habitual é o profissional tratar os dentes sem considerar a interrelação do seu trabalho com a função condilar.
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